Veja as obras que ‘sumiram’ de contratos com concessionárias no Paraná; MPF cita R$ 35 milhões em propinas

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RPC teve acesso, com exclusividade, a documentos da Operação Integração que mostram as obras nas estradas paranaenses que as concessionárias foram desobrigadas a fazer.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), que investiga os contratos com as empresas, as mudanças feitas fazem parte de um esquema milionário de pagamento de propina.

Dois mil e quinhentos quilômetros de estradas federais foram entregues em regime de concessão pelo Governo do Paraná para seis empresas privadas em 1997. Os contratos valem até 2021. À época da assinatura, a promessa era ter estradas de primeiro mundo.

“Imagine um estado onde as suas principais estradas estarão todas duplicadas e todas realmente prontas para operar um grande processo de mudança no desenvolvimento do nosso estado”, disse, em 1995, o então governador Jaime Lerner em entrevista.

O mapa abaixo mostra os trechos que seriam duplicados e os contornos que deveriam ser feitos pelo contrato original. Nos anos seguintes, porém, foram assinados aditivos que retiraram dos contratos duplicações e outras obras.

Mapa mostra trechos que seriam duplicados e os contornos que deveriam ser feitos pelo contrato original com concessionárias — Foto: Reprodução/RPC
Mapa mostra trechos que seriam duplicados e os contornos que deveriam ser feitos pelo contrato original com concessionárias — Foto: Reprodução/RPC

Segundo o MPF, o compromisso caiu de 995,7 para 616,7 quilômetros.

Os procuradores dizem que o que de fato foi feito não passa de 300 quilômetros – mesmo com os valores de pedágio subindo quase todo ano.